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21 de Março de 2024

DIA DA ÁRVORE

 

 

Eis-nos mortas, de rastos, pelo chão!

 

E fomos belas, altas e frondosas;

 

E demos doces frutas saborosas

 

Que mataram a sede e foram pão.

 

Em nós, cheias de enlevo e mansidão,

 

Fizeram ninho as aves amorosas;

 

Pelas sestas de Julho, a arder, piedosas,

 

Fomos a sombra e a voz da solidão.

 

Fomos o berço do homem e o seu lume;

 

Demos-lhe bênção, cantos e perfume;

 

Caixão, em nós descansa até final.

 

Demos a vida a quem nos tira a vida:

 

Mas só nos doi a ingratidão sofrida

 

De um mal inútil, feito só por mal!

 

 

António Corrêa d'Oliveira (1879-1960)                In “A Alma das Árvores”, 1918

 

 

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